domingo, 18 de janeiro de 2009

DIFICULDADES SINTÁTICAS EM INDIVÍDUOS SURDOS:
Implicação da Surdez?*

Maria Cristina da Cunha Pereira Yoshioka
A escrita de crianças e mesmo de adultos surdos, filhos de pais ouvintes, tem sido caracterizada na literatura como deficiente, se comparada com a de ouvintes ou mesmo com a de surdos, filhos de pais surdos. Faltam elementos de ligação, como preposições e conjunções; os vocabulários não são ordenados conforme determina a gramática e muitas são as dificuldades observadas em relação à flexão e à concordância entre os elementos da frase.
No entanto, observando as produções escritas de crianças surdas, da 3ª série do Ensino Fundamental de uma escola especial, da Divisão de Educação e Reabilitação dos Distúrbios da Comunicação – DERDIC – da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil, constatamos que estas não parecem ser as características encontradas na escrita de todas as crianças, principalmente daquelas que têm domínio da Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS.
Nas produções escritas destas crianças, além de muita criatividade, observa-se a presença de muitos dos elementos comumente referidos na literatura como sendo omitidos ou usados inadequadamente pelos surdos.
Tais modificações no aspecto sintático das crianças observadas parecem ter decorrido, principalmente, do fato de as mesmas dominarem uma língua, a de sinais. A falta de domínio de uma língua, sobre a qual a escrita vai ser construída, é o que diferencia, a nosso ver, muitas das crianças surdas, filhas de pais ouvintes, das ouvintes e mesmo das surdas de pais surdos. Além disso, as estratégias usadas pela professora na exposição à escrita, como ênfase na leitura, troca de idéias com a professora e com os colegas, entre outras, também parecem ter papel importante nos resultados observados.
Partindo destas idéias, neste trabalho, as autoras, com base em exemplos extraídos das produções escritas das crianças-sujeito, têm como objetivo discutir questões relacionadas à sintaxe, relacionando-as às concepções de língua e de sujeito surdo que parecem subjacentes às práticas pedagógicas que envolvem o ensino da escrita a indivíduos surdos.
*Texto preparado sob a responsabilidade da Divisão de Educação e Reabilitação dos Distúrbios da Comunicação – DERDIC – da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

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